
Lúcia Helena Pereira (*)
Nilo de Oliveira Pereira, nasceu em 11 de dezembro de 1909, na casa - grande do engenho Verde-Nasce, em Ceará - Mirim / RN. Passou boa parte da infância no engenho Guaporé, propriedade do seu avô e médico - Vicente Ignácio Pereira.
Concluiu o curso superior de Direito, na Faculdade de Direito do Recife , turma de 1932, tendo sido escolhido orador.
Casou - se com a pernambucana Lila Marques Pereira, com quem teve seis filhos: Roberto, Maria Tereza, Geraldo, Maria Eliana,Beatriz e Fátima.
Foi em Recife, após ter saído do vale verde, que ele adotou uma nova cidade e, por conseguinte, novas raízes, sem jamais esquecer a velha Ceará - Mirim e o seu Verde - Nasce! E foi em Recife que Nilo criou seus filhos e teve destaque como advogado, professor universitário, jornalista, escritor, político, entre outros cargos, deixando, após o seu encantamento, em 22 de janeiro de 1992, cerca de 60 obras, além da colaboração diária no Jornal do Comércio, com a coluna "Notas Avulsas". Escrevia para diversos jornais e revistas e ministrou conferências, palestras, simpósios, participando de encontros, congressos e outros eventos no gênero. Obteve - com grande honra - vários prêmios literários, onde, na década de 80, só para citar recebeu, da Academia Brasileira de Letras, por conjunto de obras, o prêmio "Machado de Assis” e muitos outros, como o "Edgar Barbosa"..
Nilo Pereira era membro das Academias Pernambucana e Norte - Rio - Grandense de Letras, de Institutos Históricos e Geográficos de vários Estados, membro da Fundação Joaquim Nabuco, etc.
Creio que ninguém amou tanto o Ceará - Mirim, como Nilo Pereira. Ceará - Mirim que ele considerava o seu chão sagrado, sua pátria majestosa, salve, salve! Da mesma forma, o engenho Verde - Nasce e os seus ancestrais! Esse engenho era a fonte de sua eterna juventude de alma, sua fonte de belas quimeras e ricas lembranças:
"...sabe Lúcia Helena, o Verde - Nasce tem um verde diferente, brilhante, perfumado (mesmo à distância), o casarão parecia um velho castelo abrigando seus moradores. Creio que o Verde - Nasce não é só um simples engenho, creio que ele tem alma, que ele chora suas saudades, chora a história de suas histórias"...(N.P.)
"...Ah! Lúcia Helena, graças ao convite do Diógenes da Cunha Lima, cujo carro e motorista levaram - me a um passeio pelo vale, pude rever o rico Verde - Nasce. Estava uma hora suave, quase crepuscular. Os pássaros cantavam suas doces sinfonias,
os cambiteiros passavam suados e felizes com suas cantigas,
um céu avermelhado (como abóbora celeste) dava a impressão de uma tela lindamente pintada por algum artista da renascença! Oh! Dileta prima, como sofro cada vez que volto ao Verde - Nasce e como sou feliz! Descubra esses conflitos, se puder." (N.P.)
"...Minha querida Lúcia Helena, peregrina das noites do vale, hoje amanheci acometido do tal banzo (Deus, como os escravos sofreram!!!). Imagine que surpreendi - me meditando sobre todos aqueles acontecimentos para o lançamento do livro de tia Madalena - sua amada avó. Nesse itinerário, quedei - me rememorando figuras queridas, amáveis, que tanto participaram e incentivam nossa escritora: o mestre Cascudo (brilhante, único), Vingt Rosado, Manoel Rodrigues de Melo, Veríssimo de Melo, Américo de Oliveira Costa, Esmeraldo Siqueira e tantos outros"...
"Sabe, Lucinha, tenho me correspondido com Enélio Lima Petrovich - grande figura das nossas letras, com o Murilo Melo Filho (que venceu e tornou - se amigo pessoal do Adolfo Blok). Ora, já viu um potiguar não vencer lá fora"?
"Minha querida, nem sei como responder sua carta. É mais do que uma carta. É um poema. A poesia cai de suas mãos de fada, como flores desabrochando de um jardim tropical. Você é a herdeira absoluta dos talentos de sua avó Madalena ! Louvo - a, também por isso, Lucia Helena".
"Dileta prima: recebi sua carta sobre o nascimento do seu primogênito Abel. Que imensa honra dar o nome do seu pai ao novo condão! Sua carta sobre o novo Abel deu - me a impressão de ouvir músicas das esferas, em noites de encantamento e de poesia, quando os anjos falam à nossa alma e tocam as suas harmonias em cítaras astrais..."
Entre tantas preciosidades literárias, Nilo deixou uma frase lapidar:
"Que se pode dizer de um homem? Ele é a síntese da humanidade. Nele estão todos os séculos. Por isso, a história é o seu juízo. Impossível esquecê - la na interpretação da vida. Que diriam os homens de todos os tempos do homem de hoje?
Talvez o mesmo que dizemos deles. O julgamento histórico muda o tempo e o espaço, mas não muda a essência humana..." (NILO PEREIRA)
_(*) Escritora,Poeta e membro da Academia Feminina de Letras do RN, do Instituto Histórico e Geográfico do IHG / , ex - presidenta Regional e Nacional da AJEB (1990 a 2000), correspondente (de 1958 a 1991)e prima de Nilo Pereira.
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