sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Seria a humanidade suicida?


(*) Rinaldo Barros
Começo logo com algumas informações altamente preocupantes.
Somos 7,2 bilhões de pessoas sobre a face da Terra, e a maioria de nós desperdiça o precioso líquido, enquanto 1 bilhão de seres humanos sofre o flagelo da sede. 1 bilhão!
De acordo com especialistas da ONU, se a curva de crescimento da população mundial se mantiver, vamos chegar à marca de 15 bilhões de humanos antes da metade deste século.
Por volta de 2025, 8 bilhões de habitantes deverão compartilhar a mesma quantidade de água doce que existe atualmente. Estima-se que as reservas serão, em média, de 4.800 m3 por ano e por habitante, contra 16.800 m3 em 1950.
A América do Sul dispõe da quarta parte da água disponível em todo o mundo, embora ela abrigue apenas 6% da população. No extremo oposto, 60% dos habitantes do planeta vivem na Ásia, que não dispõe mais do que um terço dos recursos em água existentes. Acendeu a luz amarela.
As sociedades humanas precisam reformar rapidamente sua administração dos recursos em água doce, sobre os quais pesam ameaças cada vez mais importantes. Caso mudanças não sejam promovidas em tempo hábil, a segurança hídrica, alimentícia e energética, em breve estará comprometida.
Em resumo, esta foi a preocupação dos organizadores do encontro de mais de 120 chefes de Estado que participaram esta semana, em Nova York, de uma Cúpula do Clima das Nações Unidas, que buscou dar um novo impulso às negociações internacionais para limitar o aquecimento global, antes da Conferência Crucial de Paris, prevista para 2015.
Aliás, Dilma (o Brasil) não assinou o acordo para reduzir o desmatamento (Declaração de Nova York sobre Florestas); assinado por 28 governos, entre eles os Estados Unidos, Canada e vários países da União Europeia, além de empresas, grupos indígenas e organizações não-governamentais. Dilma não assinou.
O caro leitor, como cidadão brasileiro, concorda com a atitude da presidente? Voltemos para a água.
A população mundial não pára de crescer, e a água vem se tornando cada vez mais rara.
A principal causa deste desequilíbrio é o aquecimento climático. À medida que a temperatura segue aumentando, a evaporação da água dos rios e de todos os cursos de água em geral torna-se mais importante. Com isso, a quantidade de água doce disponível vai diminuindo.
Todavia, o grande culpado pela rarefação da água é o crescimento das formas de poluição de origem urbana, industrial e agrícola.
A salinização das águas doces, que é provocada pela exploração excessiva dos lençóis freáticos costeiros ou dos rios, as torna igualmente impróprias para o consumo. Com isso, elas não podem ser aproveitadas sem custosos processos de saneamento prévios.
Ora, as necessidades de água vêm aumentando sem parar. O crescimento da população mundial, que ocorre essencialmente nas grandes metrópoles, vem concentrando a demanda em determinadas regiões, o que complica o abastecimento de água potável.
Atualmente, uma proporção de 70% em média da água doce utilizada em todo o mundo é destinada ao setor agropecuário. Gasta-se 215 litros de água para cada quilograma de carne bovina produzida.
Apesar da seriedade da situação, a Terra continua a receber diariamente contínua devastação da floresta amazônica, vazamentos de óleo nos mares, derretimentos das grandes geleiras, buracos na camada de ozônio, poluição dos ares e águas, aquecimento global e esgotamento dos recursos naturais.
Do outro lado da moeda, a desvalorização do ser humano, o aumento das drogas, o efeito devastador do desequilíbrio ecológico, a perda da dignidade, a inversão dos valores sociais, o aumento da massa humana sem rumo, a fome, as desigualdades sociais, os preconceitos, as guerras, o terrorismo, a globalização da miséria, o medo, a incerteza do futuro, tudo isto cria uma névoa espessa de energia negativa em volta de nosso mundo.
Tudo está ligado! A degradação do ser humano e a do planeta estão intimamente unidos e da mesma forma as soluções para a questão. Se a espécie homo sapiens fosse racional.
Resumo da ópera: o racional seria construir uma política viável de uso (e reuso) adequado da água, com gestão responsável para captação e armazenamento desse recurso indispensável para a vida.
A Terra está sendo saqueada e ela é a nossa casa! Seria a humanidade suicida?

(*) Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com

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